Durante a transmissão do evento, na Dinamarca, que definiu o Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 fiquei pensando cá com meus botões sobre as razões e os motivos pelos quais toda aquela gente do Brasil - atletas, cartolas do esporte e, principalmente políticos - fizeram questão de lá estarem. Certamente, todos eles permaneceram na capital da Dinamarca, Copenhague, mantidos em hotéis e recebendo diárias pagas, como diz Ancelmo Góis, do Globo, com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.
Do lado de cá, um bando de gente desocupada, à moda de uma micareta, estava nas areias da praia de Copacanbana, esperando o grande anúncio, para que finalmente a festança começasse. Até aí tudo bem, cada um no seu quadrado. Era previsível que houvesse essa mobilização exagerada. Quase tudo no Brasil que diga respeito a futebol e esporte fica parecendo que estamos às vésperas do fim do mundo.
Na verdade, meu choque se deu com a descompostura de altas autoridades nacionais que, ao ouvirem o nome da cidade pronunciado pelo presidente do COI, pulavam feito rãs (ou seriam sapos?) no brejo. E aí voltei aos meus botões e fiquei pensando e pensando sobre o motivo para reações tão enlouquecidas.
Depois de "muito" pensar sobre as possíveis boas coisas que os jogos olímpicos podem trazer para a Cidade Maravilhosa, cheguei à conclusão de que aquelas pessoas pulavam freneticamente e se abraçavam com tanto ardor porque percebiam, digamos, outros cenários para o futuro. Estavam todos ali eufóricos com a possibilidade de...bem, vocês podem imaginar o que acontece quando uma cidade recebe tanto investimento para a construção de complexos esportivos, estradas e avenidas, estações de trem etc...
É bom pensar sobre isso...
O momento do anúncio no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=NoKTVNesTDw
Ainda dá tempo. As produtoras e diretores que não inscreveram seus curtas e longas-metragens ainda podem mandar o material para a 6ª edição do Festival de Belém do Cinema Brasileiro, que será realizado de 1 a 6 de dezembro, em Belém do Pará. O edital de inscrição está no site www.amazoniaimaginaria.com.br. Os filmes e vídeos devem ser inéditos no circuito comercial do Pará, e não serão aceitas as inscrições de produções não concluídas.
Os filmes inscritos passarão por uma seleção através de um júri formado por curadores ligados à produção cultural do país. Uma vez selecionados, os filmes, em 35mm ou DVCam, concorrerão nas categorias de Melhor Curta, Melhor Média e Melhor Longa Metragem ao troféu Ver-o-Peso do Cinema Brasileiro, que será entregue na cerimônia de premiação, que será realizada no dia 6 de dezembro, no Cine Olympia.
A mostra, criada em 2004, é uma realização do Instituto Amazônia Imaginária e da D. Paes Produções, com produção executiva da atriz Dira Paes e do produtor cultural Emanoel Freitas.
O Festival de Belém do Cinema Brasileiro (FestCineBelém) é apresentado e patrocinado pela Petrobras, com Apoio Institucional da Lei Federal de Incentivo à Cultura, através da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Governo Federal, além do CTAV, Prefeitura de Belém, Fumbel, Fórum dos Festivais e ABDeC – Pará.
Outras Informações:
Projeto Paralelo Comunicação - Tel.: 21 2512 8227
Lu Nabuco - Cel.: 21 9405 4125 - lunabuco@paralelocomunicacao.com.br
Marcelle Braga - Cel.: 21 7814 4820 - marcelle@paralelocomunicacao.com.br
Esta semana aconteceu o tal episódio envolvendo a prisão do cineasta franco-polônês Roman Polanski, considerado fugitivo da justiça norte-americana porque lá pelos anos 1970 foi condenado por ter seduzido uma adolescente de 13 anos, embebedando-a e fazendo sexo com ela.
A isto seguiu-se uma reação em cadeia de importantes cineastas e atores que assinaram manifesto em repúdio à prisão do diretor, qualificando a ação da polícia e da justiça como ato arbitrário porque afinal de contas o cineasta estava na Suiça para receber um prêmio e blablablá...
Este evento me fez lembrar como muitos desses cineastas e artistas, ao mesmo tempo que são geniais, capazes de produzir filmes inesquecíveis, são igualmente capazes de ações tão obviamente contraditórias com tudo aquilo que, como cidadãos, pensam e falam.
Senão, vejamos, Polanski é, de fato, um fugitivo da justiça e, se já foi condenado, precisa pagar a sua pena. Não é porque se trata de um cineasta renomado que o tratamento deve ser diferenciado. É claro que ninguém espera que os cineastas amigos de Polanski assinem um manifesto em sentido contrário, de prendê-lo e levá-lo para os EUA, mas daí a fazer o contrário me parece absurdo como também um abuso.
Bom, os artistas são gente como qualquer um. É normal que queira defender seus amigos, mas eles não devem se esquecer que também são figuras públicas. Alguns são até muito politizados, costumam ter opiniões liberais sobre tudo. Falam de consciência social, da liberdade de expressão, do direito à democracia. Tudo muito bom. Agora, que botem em prática todo esse belo discurso. Confesso que fiquei chocado com o manifesto. Melhor seria calar e não desafiar as instituições, pelo menos não em causa própria. Cheira a suspeição.
E aí fico lembrando de artistas nacionais, a exemplo de um dos nossos grandes compositores (melhor não citar nomes), que passou a vida falando de democracia; permaneceu anos sem aparecer na maior emissora de TV do país, alegando que os donos da dita cuja era aliados do governo militar. Ótimo! Belo protesto! Mas, eis a grande contradição: o tal compositor é capaz de fazer não somente a defesa, mas também o elogio ao governo de Cuba, que qualquer pessoa de bom senso sabe que é uma ditadura das mais violentas. Ditadura de esquerda.
Citei apenas um, mas há uma penca de artistas e intelectuais que insistem nessa contradição entre discurso e ação. Donde se conclui que tudo é apenas privativamente ideológico. Ideológico no pior sentido, que é o de acomodar as suas pequenas crenças, vendendo como "grande discurso" aquilo que, na verdade, só tem a ver com suas convicções mesquinhamente pessoais.
Volto ao Roman. É um grande cineasta. Faz filmes bons até quando não está muito inspirado. Quando foi premiado com o Oscar de melhor diretor, em 2003, por aquele belo filme que é "O Pianista" não esteve presente à cerimônia em Hollywood exatamente por ser fugitivo da justiça. Harrison Ford recebeu o prêmio por ele.
Lamento que esteja nessa situação, mas fazer o quê? Numa sociedade democrática não se faz distinção entre o grande cineasta e o zé ruela que cometeu crime assemelhado. O que resta a Polanski é ter bons advogados a seu lado, de modo a minimizar os efeitos do seu crime. É só. O resto são bravatas de cineastas que deveriam estar no set filmando ou editando seus filmes.
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