JORNALISMO E POLÍTICA SEGUNDO HOLLYWOOD

Em "Intrigas de Estado", Russell Crowe vive um jornalista perfeitamente enquadrado no estereótipo do repórter  mal vestido, meio rebelde e egocêntrico, furão (como se diz no jargão profissional), mas cheio de boas intenções, mesmo quando aparentemente só deseja conseguir uma boa matéria.

Ben Affleck encarna o típico político democrata, veterano da Guerra do Golfo, combativo, atento aos erros do governo e crítico feroz da política conservadora e belicista no Oriente Médio, que transformou os EUA em uma indústria que fabrica guerras e, principalmente, faz o sistema capitalista, por meio de suas corporações do segmento de defesa, ganhar bilhões de dólares com isso.

Russell e Ben foram colegas de faculdade e se reencontram quando o segundo está metido numa confusão dos diabos com o assassinato de sua principal assistente, com a qual mantinha relecionamentro amoroso obviamente clandestino, uma vez que é casado com Robin Wright-Penn (cada vez mais madura, cada vez melhor). Então cabe a Russell investigar o quiproquó, auxiliado por Rachel MacAdams, uma repórter blogueira da versão on line do jornal Washington Globe, que mergulhado no prejuízo, faz com que sua editora Helen Mirren esteja desesperada por uma grande matéria.

Bem, é isso mesmo! O jornalismo é um curioso ofício que inevitavelmente se beneficia com a miséria humana para vender jornais, o que faz dele não uma atividade parecida (em relevância social e manejo técnico) com a culinária ou a cosmetologia, como desejam o presidente do Supremo Tribunal Federal brasileiro, o senhor Gilmar Mendes, e seus vetustos companheiros de toga, mas algo próximo de um "quarto poder" (conforme o senso comum já tratou de qualificá-lo).

Mas, that's Hollywood!  E Russel, além de bom profissional, tem bom caráter e considera seu ex-amigo na hora de apurar os fatos. No entanto, ao ser ético com o amigo, força a barra na ultrapassagem dos limites que separam a investigação jornalística da investigação policial, fazendo surgir um interessantíssimo filme que mistura doses generosas de suspense e ação, sem cair naquela tenebrosa receita contemporânea dos filmes congêneres nos quais a trama que se narra não faz o menor sentido. Nesse (e isso é louvável mérito do roteiro, direção e montagem) compreende-se tudo perfeitamente, com direito a um final surpreendente.

É isso! Sinto uma certa nostalgia de uma época em que filmes como "Intrigas de Estado" eram uma regra na indústria cinematográfica norte-americana e não a exceção.

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, Homem, JORNALISTA (DRT-PE 1725) E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO