UMA BÁSICA VISITA AO YOUTUBE...

Outro dia em conversa com uma doutoranda na UFPE, que tem a pretensão de estudar o audiovisual brasileiro, fiquei chocado com o desconhecimento dessa distinta pessoa em relação à história e os nomes que fizeram a Televisão brasileira ser o que é. A moça, com ar de desdém (e de infinita ignorância, por certo), fazia pouco do trabalho e da pessoa pública de Tarcísio Meira, uma legenda da teledramaturgia nacional, que sustenta uma carreira e currículo de quase 50 anos, com os títulos e personagens mais marcantes da história da TV no Brasil.

Pois bem, sexta-feira última, no seu programa diário, ao entrevistar Tarcísio e a mulher Glória Menezes, Jô Soares prestou uma mais do que merecida homenagem. A propósito dos 44 anos de existência da Rede Globo e do tempo de casamento dos dois artistas, o apresentador disse que se houvesse uma moeda comemorativa ao aniversário da emissora, em um lado teria a imagem de Tarcísio e no outro o de Glória. Imagina! Eles protagonizaram a primeira telenovela em capítulos no Brasil, "2-5499 Ocupado", no já distante ano de 1963.

A entrevista foi uma das melhores já realizadas por Jô (pelo menos das que eu já assisti com atores famosos), com a dupla, que já tem bisnetos, contando casos e "causos" dos bastidores da televisão, do cinema e do teatro, e, claro, da vida a dois. Elegantes, distintos, classudos, inteligentes, discretos, um show!!! 

Olha, há algo a respeito da cultura brasileira, sobretudo dos mais jovens, que é assustador:  um total desconhecimento de quem foram os artistas do passado, mas acho que esse pecado ainda é mais terrível quando a desinformação e a ignorância partem de pessoas que se arvoram em entender e estudar o assunto. Que o público leigo desconheça a contribuição dos mais antigos, vá lá...mas pessoas que se dizem interessados em TV como objeto de estudo acadêmico, sei não...

Para essas figuras, aí vai uma dica: para conhecer os nomes e as obras de artistas como Meira, Glória, Regina Duarte, Cuoco e tantos outros pioneiros, basta dar uma passadinha no Youtube e baixar trechos das novelas em preto-e-branco do início dos anos 1970. Pena que a produção em videoteipe da década de 1960 esteja toda perdida.  É fácil, barato, rápido e não faz mal aos neurônios...

BOAS ADAPTAÇÕES DA TV DOS EUA

Embora a televisão brasileira ainda não tenha firmado uma tradição de séries dramáticas, aquelas que se apresentam por temporadas anuais, com apenas um episódio semanal, os dois mais recentes lançamentos da Rede Globo no segmento, "Força Tarefa" (quinta-feira, depois de "A Grande Família") e "Tudo Novo de Novo" (sexta-feira, depois do "Globo Repórter"), são lançamentos bem acima da média. Para quem anda cansado das novelas da emissora, pode ser uma boa opção.

Certamente inspirados em formatos e gêneros já consagrados no prime time (horário nobre) da TV dos EUA, as séries introduzem elementos brasileiros, sobretudo "Força Tarefa". Neste, o policial da corregedoria da Polícia Militar vivido por Murilo Benício é um primor de personagem. Bom caráter, honesto e cumpridor dos seus deveres, o tenente Wilson é atormentado vez ou outra pela "alma penada" de um policial corrupto seu conhecido - obviamente já morto -, que funciona como um conselheiro politicamente incorreto, o que gera interessantes diálogos entre os dois.

"Tudo Novo de Novo" é drama, mas tem uma piada implícita, na qual os personagens de Júlia Lemmertz e Marco Ricca - ele em segundo casamento, ela tentando o terceiro - simplesmente nunca conseguem ficar juntos por mais de cinco minutos porque são sempre perturbados por algum problema familiar provocado por um dos filhos adolescentes, ex-maridos e ex-esposas, pais e mães de ambos os lados. Um verdadeiro carrossel de emoções familiares, como nunca se viu na teledramaturgia da Globo, nem nos tempos de "Malu Mulher". Tudo por meio de uma linguagem naturalista, que pretende situar a questão da família brasileira contemporânea. Lembra inclusive uma série norte-americana com Sela Ward, "Once and Again", até mesmo no título.

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, RECIFE, Homem, JORNALISTA (DRT-PE 1725) E PROFESSOR UNIVERSITÁRIO