FIM DE UMA AVENTURA DE DEZ ANOS

Hoje completo dez anos de blog.

Foi uma experiência fantástica.

Grato a todos que visitaram este espaço.

Hoje também finalizo esta jornada por aqui.

Continuarei comentando filmes no meu perfil no Facebook.

Um abraço afetuoso.

SOBRE A CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA

Amigos, ontem fui interpelado de uma forma um tanto agressiva, num debate, por alguém que se disse "irritado" - "irritado", vocês estão lendo corretamente - com o meu comentário sobre o filme "La La Land", feito por mim aqui no facebook e no meu blog:

Gostaria de esclarecer alguns pontos:

1. Aceito opiniões divergentes da minha. Sou assim pessoal e profissionalmente (em função de minhas atividades profissionais e de minhas formações de graduação, Jornalismo e, em especial, Direito);

2. Por óbvio, o referido comentário sobre o filme reflete, única e exclusivamente, a minha opinião pessoal;

3. Contudo, a minha opinião pessoal (consequentemente, subjetiva) é formada a partir de uma base teórica sólida;

4. Estudo e pesquiso Cinema há 30 anos. Todos os meus trabalhos de conclusão dos supracitados cursos de Jornalismo (UFPE) e de Direito (Unicap) - isso mesmo, direitos culturais constitucionais -, bem como os do Mestrado em Comunicação e Cultura (UFRJ) e do Doutorado em Sociologia (UFPE) tiveram o cinema como objeto de investigação;

5. Ainda assim, reitero: é apenas a minha opinião e não a Verdade absoluta;

6. A sabedoria nos ensina que, caso você não seja capaz de aceitar o contraditório, não há problema algum, fique em casa, evitando "se irritar";

7. Finalmente, acredito que, para se conviver democraticamente, torna-se necessário e absolutamente urgente que sejam respeitadas, civilizadamente, todas e quaisquer opiniões distintas da nossa, sob o risco grave de - em caso contrário - nos tornarmos tiranos uns com os outros.

8. Grato a todos.

NÃO FOI DESTA VEZ, PELO MENOS PARA MIM

Não foi desta vez - pelo menos para mim - que Hollywood conseguiu dar sobrevida ao musical, gênero de filme que há 60 / 70 anos era produzido em profusão e qualidade.

Sorry! Queria poder apenas falar bem do filme.

Contudo, penso que o superestimado "La La Land" só vale basicamente pelos seus 30 minutos finais, quando - aleluia! - percebe-se algo inerente ao gênero: música e ritmo narrativo que chega a tirar o fôlego.

Até lá temos que aguentar mais ou menos duas horas modorrentas em que pouco acontece; não há nem mesmo números com canções realmente boas ou coreografias bacanas.

Demian Chazelle que fez o ótimo "Whiplash" há dois ou três anos - que, tecnicamente, não era um musical e sim um filme com música -, comete o supremo pecado de tentar trazer o musical tradicional por meio de um roteiro que dispensa bons personagens coadjuvantes.

É preciso que se diga: as participações de John Legend, Rosemarie deWitt e do oscarizado J. K. Simmons são quase figurações de luxo; efetivamente não o são porque os três têm algumas falas. Em tese, se bem desenvolvidos, dariam impulso narrativo a "La La Land".

Abandonados, deixam tudo na mão dos bons atores Ryan Gosling e Emma Stone, que, convenhamos, não conseguem sustentar o filme apenas por si mesmos.

Sabemos que, no musical, canções funcionam como extensões dos diálogos; na verdade, podem até mesmo ser percebidos como tal, mas as de "La Land", ainda que não sejam ruins, melodicamente assemelham-se umas com as outras.

Enfim, quero dizer que sou fã de musicais desde tempos jurássicos e até reconheço em obras relativamente recentes como "Moulin Rouge" (2001) e "Chicago" (2002) boas tentativas de trazer de volta aquilo que um dia foi uma marca indelével do cinema produzido nos EUA.

Fico aguardando a próxima...

O FURO FOI MEU!

Embora como brasileiro lamente a exclusão de Sonia Braga do Oscar, como JORNALISTA, orgulho-me de, no dia 05 de janeiro último, ter sido o primeiro no país a dar esse furo, aqui mesmo no meu perfil do Facebook e no meu blog: a inelegibilidade do filme "Aquarius" para as categorias gerais do Oscar, pois o título não se encontrava na Reminder List oficial da Academia.

Ontem, o colega Marcelo Bernardes, na coluna Baixo Manhattan - Cosmopolitices, da Folha de S. Paulo, esclareceu o real motivo da exclusão: o distribuidor do filme nos EUA simplesmente não inscreveu "Aquarius" na lista do Oscar, um dos requisitos essenciais para o preenchimento dos critérios de elegibilidade.

"AQUARIUS" NO CÉSAR

Fora do Oscar, "Aquarius" é indicado ao César de melhor filme estrangeiro, entregue pela Academia Francesa de Cinema.

Nessa categoria, cinco dos sete nomeados têm a França como país co-produtor ("Aquarius incluído), dois são integralmente falados em francês e um, parcialmente.

Não é de espantar: as regras de filme estrangeiro do César são completamente diferentes das do Oscar.

Abaixo, algumas das principais categorias:

Melhor Filme
DIVINES (ainda sem título no Brasil), dirigido por HOUDA BENYAMINA
ELLE, dirigido por PAUL VERHOEVEN
FRANTZ (ainda sem título no Brasil), dirigido por FRANÇOIS OZON
AGNUS DEI, dirigido por ANNE FONTAINE
MISTÉRIO NA COSTA CHANEL, dirigido por BRUNO DUMONT
MAL DE PIERRES (ainda sem título no Brasil), dirigido por NICOLE GARCIA
VICTORIA (ainda sem título no Brasil), dirigido por JUSTINE TRIET

Melhor Filme Estrangeiro
AQUARIUS (Brasil e França)
BACCALAURÉAT (Romênia, França e Bélgica, ainda sem título no Brasil)
A GAROTA SEM NOME (Bélgica e França)
É APENAS O FIM DO MUNDO (Canadá e França)
MANCHESTER À BEIRA-MAR (Estados Unidos)
EU, DANIEL BLAKE (Reino Unido, França e Bélgica)
TONI ERDMANN (Alemanha, Áustria e Romênia)

Melhor Direção
HOUDA BENYAMINA (DIVINES, ainda sem título no Brasil)
PAUL VERHOEVEN (ELLE)
FRANÇOIS OZON (FRANTZ, ainda sem título no Brasil)
ANNE FONTAINE (AGNUS DEI)
XAVIER DOLAN (É APENAS O FIM DO MUNDO)
BRUNO DUMONT (MISTÉRIO NA COSTA CHANEL)
NICOLE GARCIA (MAL DE PIERRES, ainda sem título no Brasil)

Melhor Ator
FRANÇOIS CLUZET (MÉDECIN DE CAMPAGNE, ainda sem título no Brasil)
PIERRE DELADONCHAMPS (LE FILS DE JEAN, ainda sem título no Brasil)
NICOLAS DUVAUCHELLE (NÂO SOU UM CANALHA)
FABRICE LUCHINI (MISTÉRIO NA COSTA CHANEL)
PIERRE NINEY (FRANTZ, ainda sem título no Brasil)
OMAR SY (CHOCOLATE)
GASPARD ULLIEL (É APENAS O FIM DO MUNDO)

Melhor Atriz
JUDITH CHEMLA (UNE VIE, ainda sem título no Brasil)
MARION COTILLARD (MAL DE PIERRES, ainda sem título no Brasil)
VIRGINIE EFIRA (VICTORIA, ainda sem título no Brasil)
MARINA FOÏS (IRREPREENSÍVEL)
ISABELLE HUPPERT (ELLE)
SIDSE BABETT KNUDSEN (LA FILLE DE BREST, ainda sem título no Brasil)
SOKO (LA DANSEUSE, ainda sem título no Brasil)

Melhor Ator Coadjuvante
GABRIEL ARCAND (LE FILS DE JEAN, ainda sem título no Brasil)
VINCENT CASSEL (É APENAS O FIM DO MUNDO)
VINCENT LACOSTE (VICTORIA, ainda sem título no Brasil)
LAURENT LAFITTE (ELLE)
MELVIL POUPAUD (VICTORIA, ainda sem título no Brasil)
JAMES THIERRÉE (CHOCOLATE)

Melhor Atriz Coadjuvante
NATHALIE BAYE (É APENAS O FIM DO MUNDO)
VALERIA BRUNI TEDESCHI (MISTÉRIO NA COSTA CHANEL)
ANNE CONSIGNY (ELLE)
DÉBORAH LUKUMUENA (DIVINES, ainda sem título no Brasil)
MÉLANIE THIERRY (LA DANSEUSE, ainda sem título no Brasil)

MOTIVAÇÕES, INTENÇÕES E EMOÇÕES

Feliz com a nomeação da francesa Isabelle Hupert ao Oscar de melhor atriz pelo filme "Elle", não apenas porque a atriz é merecedora dessa distinção ou porque a sua atuação é devastadoramente inquietante e, literalmente, de cair o queixo.

Penso que, para além disso tudo, Paul Verhoeven (de "Robocop", "O Vingador do Futuro" e "Instinto Selvagem", três filmes comerciais bem interessantes, que o firmaram entre os diretores mais rentáveis do cinemão hollywoodiano, entre os anos 1980/1990) fez um filme extremamente corajoso já a partir do roteiro adaptado de um romance, que propõe como "heroína" uma mulher real, idiossincrática, vítima mas, ao mesmo tempo, um ser humano frio e manipulador, uma bitch como os americanos gostam de chamar.

Não vou aprofundar a respeito, sob o risco de ser um spoiler, mas gosto de pensar que ainda há vida inteligente no cinema quando assisto a um filme que desafia o espectador com história e personagens envolventes, narrativa ágil e ousadia na proposta fílmica.

O diretor tem uma carreira de altos baixo que começou na Europa nos anos 1970.

Não assisti a toda sua filmografia, mas reputo "Louca Paixão" (1973) e "Soldado de Laranja" (1977), realizados na Holanda, duas pequenas obras-primas.

Com "Elle", o cineasta se volta a um cinema mais de ideias. Em certos aspectos assemelha-se a um Michael Haneke, embora não atinja o mesmo grau de maestria desse austríaco.

Enfim, "Elle" é um filme que deve ser visto por quem gosta de uma cinema mais elaborado.

 

"ANIMAIS NOTURNOS" E A PRAGA DO POLITICAMENTE CORRETO

Apesar de determinados grupos identificados com a ladainha do politicamente correto gritarem argumentos de que o diretor Tom Ford objetifica e erotiza a figura da mulher, legitimando o estupro e tornando-a frágil e dependente do homem, quero dizer que o filme é muito mais do que essa apreciação rasteira.

É vigoroso como narrativa cinematográfica com um Ford talentoso no manejo dos elementos da linguagem. Faz uma bela referência ao gênero "noir", uma marca do cinema policial e de suspense e, além disso, é apenas um filme e não um discurso sociopolítico.

Cansei!

Assim como já havia feito no seu ótimo filme anterior, "Direito de Amar" (2009), protagonizado pelo ator inglês Colin Firth, o designer e magnata da moda tornado diretor de cinema Tom Ford faz de "Animais Noturnos" um filme a ser visto com prazer para quem busca um cinema mais elaborado.

Conta-se a história de Susan (Amy Adams), dona de uma galeria de arte e uma mulher bela, rica, sofisticada mas infeliz no casamento com um executivo infiel (Armie Hammer).

Em dada ocasião, ela recebe pelo correio uma cópia do livro escrito pelo ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal), pai de sua única filha.

A partir desse fato acontece uma virada no filme, ao se estabelecer uma segunda narrativa em paralelo, à medida em que Susan faz a leitura interessada do livro. Até então ela não enxergava qualidade no trabalho do ex-marido.

A história dentro da história trata da perseguição numa rodovia deserta que três bandidos jovens e arruaceiros (boa atuação do inglês Aaron Taylor-Johnson no papel do líder do bando) fazem a uma família - pai e mãe interpretados também por Gyllenhaal e Adams, mais uma filha adolescente, assim como Susan e Edward.

No fluxo da leitura que tem um impacto devastador sobre si, Susan inicia um processo subjetivo de ressignificação de sua trajetória anterior com Edward, quando o considerava um perdedor incapaz de lhe oferecer uma vida abastada. Em consequência, esse julgamento passa a afetar a sua vida presente.

Até esse momento de sua vida, a protagonista é alguém sempre em busca da perfeição e da beleza (ela própria é dona de uma beleza clássica, fria, inacessível), esforçando-se para trazer tal ideal para a sua vida cotidiana, mas tudo que alcança é vazio e estéril.

Essa construção narrativa se vale de uma bem realizada junção de elementos da linguagem cinematográfica, da fotografia à direção de arte, dos figurinos à maquiagem, da trilha musical à montagem, que convergem para aprofundar o tema posto em discussão pelo roteiro a respeito das escolhas individuais com lastro na percepção do senso comum sobre ideais de beleza e perfeição que comumente acessamos e desejamos.

Já na abertura numa sequência com créditos, Ford problematiza a questão ao nos desafiar sobre esse padrão consumista do belo. A conferir.

É certo que o filme tem como referência estética o cinema policial do gênero "noir", não apenas pelo cuidado com o apuro visual, marca daqueles filmes, mas também, e principalmente, pela dimensão psicológica na qual se inserem alguns personagens mais complexos, como, além de Susan, o policial que investiga o crime descrito no livro de Edward, maravilhosamente vivido pelo grande Michael Shannon.

CERTEZAS E RECADOS

Sobre o Globo de Ouro, entregue ontem pela Hollywood Foreign Press Association, uma entidade que reúne jornalistas do mundo inteiro que cobrem cinema em Hollywood (e não críticos de cinema como muita gente pensa e que nós jornalistas sabemos bem a diferença):

Uma certeza: Meryl Streep e Viola Davis não são apenas atrizes fenomenais. São seres humanos da melhor categoria.

Uma propaganda: A esnobada que a Academia (que distribui o Oscar) deu no filme francês "Elle", eliminando-o da disputa de filme estrangeiro já na shortlist divulgada em dezembro, foi corrigida pelo Golden Globe. O discurso de agradecimento do diretor Paul Verhoeven, vencedor de filme estrangeiro, basicamente enaltecendo entusiasticamente a figura da protagonista Isabelle Hupert, bem como a escolha desta com a melhor atriz de drama alavancaram não apenas a possibilidade de Hupert estar entre as finalistas de melhor atriz no Oscar, como também as chances de "Elle" figurar na categoria nobre de melhor filme. Nenhum anúncio no Hollywood Reporter faria melhor.

Um recado: a premiação de sete globos para "La La Land - cantando estações", incluindo os de melhor filme e melhor direção (provavelmente um recorde para o Globo de Ouro), nos traz a certeza de que o musical, ainda que raro, é um gênero do cinema que (thanks God!) não morreu.

BRASILEIRAS JÁ FORAM PREMIADAS PELA CRÍTICA AMERICANA EM ANOS ANTERIORES

Com a recente divulgação dos premiados pela National Society of Film Critics, encerra-se a temporada de premiação das associações Top da crítica norte-americana, cujo seleto grupo inclui ainda a National Board of Review, os críticos de Nova York e os críticos de Los Angeles.

Aliás, essas associações têm premiado atrizes brasileiras ao longo dos anos. A cearense Florinda Bolkan, já retirada do cinema, venceu o prêmio dos críticos de Los Angeles como melhor atriz de 1975 com o filme italiano "Amargo Despertar".

A falecida Marília Pera foi premiada pela National Society of Film Critics como melhor atriz de 1981 pelo clássico nacional "Pixote - A Lei do Mais Fraco". Foi também a segunda mais votada, agora como melhor atriz coadjuvante, pela Associação dos Críticos de Nova York pelo mesmo filme.

Finalmente, Fernanda Montenegro, por "Central do Brasil", venceu como melhor atriz o prêmio dos críticos de Los Angeles e o da National Board of Review, ficando como a segunda mais votada pelos críticos de Nova York.

Este ano, os laureados pela National Society of Film Critics são:

"Moonlight - sob a luz do luar" venceu melhor filme, melhor direção, melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali) e melhor fotografia.

"Manchester à Beira-Mar" ficou com os prêmios de melhor ator (Casey Affleck), melhor atriz coadjuvante (Michelle Williams) e melhor roteiro.

A francesa Isabelle Hupert foi a melhor atriz pelo filme "Elle".

O filme alemão Toni Erdmann ganhou melhor filme estrangeiro e "O.J.: made in America" ganhou como melhor filme de não-ficção.

O sítio da National Society of Film Critics;
https://nationalsocietyoffilmcritics.com/
SONIA BRAGA ESTÁ FORA DO OSCAR

Ao que parece, a atriz brasileira Sonia Braga está, infelizmente, fora da corrida para o Oscar de melhor atriz pelo seu belo desempenho no filme "Aquarius".

No último dia 21 de dezembro, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, que outorga o prêmio, divulgou, assim como faz todos os anos, a sua "Reminder List", uma espécie de "lembrete" para que os integrantes da Academia saibam que filmes e artistas estão oficial e efetivamente concorrendo aos prêmios das chamadas categorias gerais (filme, direção, interpretação, roteiro, fotografia, etc.).

Este ano, 336 produções de longametragem estão habilitadas a concorrer ao prêmio nessas categorias, mas "Aquarius" não está incluído na relação.

O filme estreou comercialmente nos EUA em 14 de outubro de 2016, o que, em tese, o habilitaria para estar na condição de "oscarizável".

Ocorre que, além de estrear nos EUA, o filme para ser elegível precisa preencher outros requisitos: devem estrear numa sala comercial do condado de Los Angeles até a meia-noite do dia 31 de dezembro e permanecer em cartaz por, no mínimo, sete dias consecutivos em sessões diárias; precisa ter, também no mínimo, 40 minutos de duração e ser exibido em filme de 35 mm ou 70 mm em formato digital apropriado.

Mais: esses longametragens devem ter sua primeira exibição pública apenas em salas de cinema, ou seja, os filmes precisam ter sua estreia realmente no cinema, sendo eliminados aqueles que primeiramente estrearam em outras mídias.

Não sei dizer exatamente qual ou quais desses requisitos listados acima "Aquarius" não preencheu, mas o fato é que o seu nome não se encontra entre os 336, cuja lista inclui outros filmes falados em língua não inglesa como o francês "Elle", de Paul Verhoeven com Isabelle Hupert no papel principal, entre outras produções.

"Elle" não está na shortlist de filme estrangeiro, que contém os nove "semifinalistas", mas continua no páreo para figurar nas categorias gerais.

As indicações serão anunciadas no dia 24 de janeiro.

Mais informações no site oficial da Academia:

http://oscars.org/sites/oscars/files/89th_reminder_list.pdf

http://oscars.org/news/336-feature-films-contention-2016-best-picture-oscarr


CIDADE DE DEUS ENTRE OS MELHORES DO MUNDO

O excepcional filme "Cidade de Deus" (2002) está incluído em praticamente todas as listas de "cem melhores de todos os tempos" do cinema internacional, não importa a origem de tais avaliações periódicas.

No IMDb, por exemplo, é o 21º colocado com nota 8,6; tudo isso depois de 14, quase 15 anos de lançado.

Concorreu a quatro categorias nobres do Oscar (direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem), apesar de ter sido recebido com desdém por parte da crítica dita especializada de cinema, no Brasil, e, também, por pesquisadores de várias universidades brasileiras, em especial da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Hoje, é um clássico!

E um clássico, como sabemos, está acima de discussões fundamentadas em ideologias que deixam de lado a análise fílmica.

Vitória de Fernando Meirelles. Vitória do cinema brasileiro.

NOVE FILMES CONTINUAM NA DISPUTA PELO OSCAR DE FILME ESTRANGEIRO
Foram incluídos entre os nove "semifinalistas" (a lista final com os cinco títulos efetivamente indicados só sai no final de janeiro):

Da Alemanha, “Toni Erdmann” de Maren Ade; Do Irã, “O Apartamento", de Asghar Farhadi; do Canadá, “É Apenas o Fim do Mundo”, de Xavier Dolan;

Mais: da Suíça, "Ma vie de Courgette", animação de apenas 66 minutos de Claude Barras; Da Austrália, "Tanna", de Martin Butler e Bentley Dean; da Rússia, "Paradise", do veterano cineasta Andrey Konchalovsky.

Completam a lista três filmes escandinavos: da Dinamarca, “Terra de Minas", de Martin Zandvliet; da Suécia “Um Homem Chamado Ove", de Hannes Holm; e da Noruega, "A Escolha do Rei", de Erik Pope.

Três favoritos ficaram de fora: "Julieta", de Pedro Almodóvar; "Elle", de Paul Verhoeven (a francesa Isabelle Hupert tem chance de figurar entre as melhores atrizes) e "Neruda", de Pablo Larraín.
NOVE FILMES CONTINUAM NA DISPUTA PELO OSCAR DE FILME ESTRANGEIRO
Foram incluídos entre os nove "semifinalistas" (a lista final com os cinco títulos efetivamente indicados só sai no final de janeiro):

Da Alemanha, “Toni Erdmann” de Maren Ade; Do Irã, “O Apartamento", de Asghar Farhadi; do Canadá, “É Apenas o Fim do Mundo”, de Xavier Dolan;

Mais: da Suíça, "Ma vie de Courgette", animação de apenas 66 minutos de Claude Barras; Da Austrália, "Tanna", de Martin Butler e Bentley Dean; da Rússia, "Paradise", do veterano cineasta Andrey Konchalovsky.

Completam a lista três filmes escandinavos: da Dinamarca, “Terra de Minas", de Martin Zandvliet; da Suécia “Um Homem Chamado Ove", de Hannes Holm; e da Noruega, "A Escolha do Rei", de Erik Pope.

Três favoritos ficaram de fora: "Julieta", de Pedro Almodóvar; "Elle", de Paul Verhoeven (a francesa Isabelle Hupert tem chance de figurar entre as melhores atrizes) e "Neruda", de Pablo Larraín.
NERUDA NA VERSÃO DE PABLO LARRAÍN

Com uma considerável dose de licença poética a respeito de fatos reais que envolvem a perseguição política a Pablo Neruda no Chile entre os anos 1940 e 1950, o diretor Pablo Larraín imprime personalidade a seu filme "Neruda", um dos fortes candidatos a figurar entre os finalistas ao Oscar 2017 entre os filmes falados em língua não inglesa.

O diretor investe numa situação assemelhada já utilizada há 20 anos por Michael Radford no filme "O Carteiro e o Poeta", baseado no livro de Antonio Skamerta, que transferiu para a Itália dos anos 1950 uma suposta relação de amizade do poeta com um carteiro, o que na verdade teria acontecido no Chile dos anos 1970, perto da morte do autor em 1973, dias após o golpe militar que levou o general Augusto Pinochet a chefe de Estado no nosso vizinho do Pacífico.

Em "Neruda", Larraín transforma a voz Off, narrada por um antagonista, um policial de nome pouco crível Oscar Peluchoneau, interpretado por Gael García Bernal, em um longo poema de pouco mais de cem minutos.

O recurso - interessante - atribui ao contraponto do poeta uma expressão ao mesmo tempo jocosa, até ridícula e melancólica, que parece funcionar quando se olha para Neruda (Luis Gnecco) como um herói libertário, membro do Partido Comunista chileno (cuja obra valeu o Nobel de Literatura), que entre um e outro livro, além de sua atividade político-partidária como senador, apreciava bastante uma vida de devassidão com mulheres e bebidas em grandes quantidades.

Talvez por isso Larraín retira do seu filme eventuais aspectos de panfletagem política (ironiza os comunistas) ao destacar tal personalidade como de um homem por vezes contraditório mas convicto de suas crenças.

Numa das melhores cenas, uma mulher do povo adentra uma sofisticada festa de lançamento de um de seus livros para abordá-lo.

Um tanto alterada pela bebida, mas obstinada em obter uma resposta do poeta, ela questiona-o: "Quando a Revolução triunfar e todos forem iguais, nós seremos iguais a mim ou ao senhor?".

Constrangido, e talvez para apaziguar a mulher trabalhadora, Neruda hesita, mas responde: "Todos serão iguais a mim".

O problema do filme, penso eu, é que o jogo de gato e rato entre o improvável Peluchoneau e o autor chileno estende demasiadamente a narração "poética" que acompanha as imagens, repetindo, parece-me, uma mesma situação até o fim.

De qualquer forma, penso que vale a pena conferir essa obra de Larraín (diretor dos recentes "O Clube" e "No" e de "Jackie", sobre a vida de Jacqueline Kennedy logo depois do assassinato do esposo, o presidente John Kennedy).

GLOBO DE OURO DIVULGA OS SEUS PREFERIDOS EM 2016

Não é exatamente um prêmio da crítica cinematográfica stricto sensu mas de jornalistas estrangeiros que trabalham em Los Angeles realizando a cobertura jornalística sobre o cinema de Hollywood.

Fonte: IMDb

http://www.imdb.com/golden-globes/nominations?pf_rd_m=A2FGELUUNOQJNL&pf_rd_p=2752644862&pf_rd_r=0Y3X4W7HYW38HBT0B3T8&pf_rd_s=top-1&pf_rd_t=60601&pf_rd_i=golden-globes&ref_=fea_gg_nav_i3

 

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